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A série de Fourier: Sinais Periódicos de Tempo Discreto

Vamos ver agora como se comporta a representação dos sinais periódicos que são discretos, quando o representamos na série de Fourier, suas principais características e as diferenças e semelhanças em relação aos sinais de tempo contínuo.

Definição da série de Fourier para sinais de tempo discreto e periódicos

Analogamente ao sinal contínuo, o sinal periódico de tempo discreto S[n] é aquele tal que:
$$S[n] = S[n + N] $$

Quando N é um inteiro positivo e é o menor valor que satisfaz a equação acima, dizemos que N é o período de S[n] ou número de amostra, e a frequência fundamental do sinal é dada por:
$$\omega_0 = \frac{2\pi}{N} $$

Logo, podemos representar toda a gama de sinais que são periódicos de período N e que tem frequências dada por: 
$$\omega_k = \frac{2k\pi}{N} $$

Fazendo uma análise matemática dessa expressão é possível notar que os valores da frequência vão se repetir. Na verdade, só temos N valores distintos de frequência possíveis, devido ao fato do período ser sempre um inteiro.

Um fato importante, em relação aos sinais de tempo contínuo, é que o sinais de tempo discreto são representados por uma série finita, pois só existem um número finito de frequências.

Fazendo a manipulação algébrica através do somatório de todos os sinais harmônicos, chegamos a série de Fourier para sinais periódicos de tempo discreto:
$$ S[n] = \sum_{k=\left \langle N \right \rangle} a_k e^{jkw_0N}$$
$$ a_k = \frac{1}{N} \sum_{n=\left \langle N \right \rangle}x[n] e^{-jkw_0n} $$

Ou seja, aqui, temos que escolher um intervalo qualquer de N valores consecutivos para representarmos um sinal sob a forma de série de Fourier e para descobrir os coeficientes da série.

Propriedades da série de Fourier em sinais de tempo contínuo

Mostraremos aqui algumas propriedades que podem, e devem ser usadas, nas séries de Fourier onde o tempo é contínuo, pois evitam trabalho e cálculos desnecessários, visto que podemos simplificar e fazer algumas deduções.

Propriedade da Linearidade

Sejam:
$$A(x)$$ e $$B(x)$$
dois sinais periódicos de tempo $$T$$, cujos coeficientes da série de Fourier são
$$a_n$$ e $$b_n$$ .

Se o sinal:
$$C(x)$$
é dador por uma combinação linear dos sinais A(x) e B(x):
$$C(x) = k_1 A(x) + k_2 B(x) $$ , onde $$k_1$$ e $$k_2$$ são constantes
, os coeficientes da série de Fourier também o serão.

Isso quer dizer que, sejam:
$$c_n$$
os coeficientes da série de Fourier do sinal de C(x), eles podem ser representados por:

$$c_n = k_1 a_n + k_2 b_n $$

Propriedade da reflexividade do tempo

Refletir o tempo é fazer com que o tempo 't' receba os valores '-t'. É como se rebatéssemos o gráfico em relação ao eixo y.

Sabemos que a definição da série de Fourier é dada por:
$$ x(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n \omega_0 \, t}$$

Vamos ver o que acontece com o sinal quando ocorre a reflexão no tempo:
$$ x(-t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{-i \,n \omega_0 \, t}$$

Vamos chamar esse novo sinal, x(-t), de y(t) e '-n'  de 'k', para que y(t) fique na forma da série de Fourier:
$$ y(t)= \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}a_{-k} e^{i \,k \omega_0 \, t}$$

Ou seja, quando refletimos o tempo refletimos também os índices.

Assim, se o sinal S(x) possui índices $$a_n$$
O sinal S(-x) terá índices $$a_{-n}$$

Isso é interessante. Mas importante mesmo é a relação com a paridade.
Se o sinal for par, ou seja:
$$ x(t) = x(-t) $$
$$ a_n = a_{-n}$$
Os coeficientes da série de Fourier também serão pares!

E caso o sinal seja ímpar:
$$ x(t) = -x(-t) $$
$$ a_n = -a_{-n}$$
Os coeficientes da série de Fourier também serão ímpares!

E qual a utilidade disto?
Ora, se souber $$a_n$$ , saberá $$a_{-n}$$ e não terá que fazer cálculos desses índices separados, à toa.
Portanto, antes de calcular os índices da série de Fourier para tempo contínuo, verifique a propriedade de reflexão no tempo. Assim, saberá a paridade dos coeficientes da série .

Deslocamento de tempo

Seja A(t) um sinal dado em função do tempo.
Deslocar o sinal em um valor de tempo $$t_0$$ significa analisar o seguinte sinal resultante:
$$A(t - t_0)$$

Se os coeficientes da série de Fourier do sinal A(t) são dados por:
$$ a_n = \frac{1}{T} \int_T A(t) e^{-i \,n \omega_0 \, t} dt$$

Então os coeficientes da série do sinal $$A(t - t_0)$$ serão dados por:
$$ a'_n = \frac{1}{T} \int_T A(t - t_0) e^{-i \,n \omega_0 \, t} dt$$

Como é possível notar pela fórmula acima, embora tenhamos deslocado o sinal, seu período continua sendo T.
O que faz sentido. Veja 'deslocamento' como um deslocamento físico mesmo. É como se você pegasse o sinal da função e simplesmente colocasse ele em outro local do plano cartesiano.
Vendo assim, é fácil ver a razão do período continuar sendo o mesmo.

Fazendo a substituição:
$$y = t - t_0$$

Isolando 't' e integrando em relação à y, chegamos a :
$$ a'_n = e^{-i \,n \omega_0 \, t_0} a_n$$

Ou seja, quando deslocamos um sinal de um tempo $$t_0$$
Estamos alterando seus coeficientes de um fator: $$e^{-i \,n \omega_0 \, t_0}$$
Note, porém, que esse fato tem módulo unitário.

Logo, deslocar um sinal no tempo não irá alterar o módulo dos coeficientes da série de Fourier.

Propriedade da série de Fourier: alterando a escala do tempo do sinal em um fator

Seja o sinal A(t) e um número positivo real k que será o fator.
Segundo a definição de série de Fourier, podemos expressar a série na forma:
$$ A(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n \omega_0 \, t}$$

Ao alterarmos a escala do tempo em um fator kA(kt) , também alteramos seu período, que agora é: 
$$\frac{T}{k}$$

Como a frequência fundamental é dada por:
$$ w_0 = \frac{2\pi}{T}$$

A nova frequência será:
$$w = \frac{2\pi}{\frac{T}{k}} = k w_0$$

Então, o novo sinal da série de Fourier será dado por:
$$ A(kt) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n k\omega_0 \, t}$$

Ou seja, os coeficientes $$a_n$$ permanecem inalterados. Porém a frequência do sinal mudou.

Aplicando o conjugado complexo

Segundo a definição de série de Fourier, podemos expressar a série na forma:
$$ A(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n \omega_0 \, t}$$

Aplicando o conjugado em ambos lados:
$$ A^{*}(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n^* e^{-i \,n \omega_0 \, t}$$

Fazendo:
$$k=-n$$

Temos:
$$ A^{*}(t) = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}a_{-k}^* e^{i \,k \omega_0 \, t}$$

Logo, quando aplicamos o conjugado em uma série de Fourier, estamos aplicando o complexo conjugado em seus coeficientes e estamos também aplicando a propriedade da reflexão.

Caso o sinal seja real:
$$A(t) = A^*(t)$$
Então:
$$a_n=a^*_{-n}$$
$$a^*_n = a_{-n}$$
Chamamos essa última relação de simetria conjugada.


Com base nisso e na propriedade da reflexividade, é fácil mostrar que:

Caso o sinal seja real e par, os coeficientes da série de Fourier são reais e pares:
simetria conjugada: $$a^*_n = a_{-n}$$
reflexividade do sinal par: $$ a_n = a_{-n} $$
Logo, os coeficientes são reais: $$a_n = a^*_n $$



Caso o sinal seja real e ímpar, os coeficientes da série de Fourier são ímpares e imaginários:
simetria conjugada: $$a^*_n = a_{-n}$$
reflexividade do sinal ímpar: $$ a_n = - a_{-n} $$
Logo, os coeficientes são puramente imaginários: $$a_n = - a^*_n $$


Note também que, em qualquer dos casos, o módulo do coeficientes da série de Fourier permanecem inalterados quando aplicamos a propriedade da simetria conjugada.

Produto de Sinais

Sejam dois sinais de tempo contínuo, de mesmo período T: $$A(t)$$ e $$B(t)$$
com coeficientes da série de Fourier dados, respectivamente, por: $$a_n$$ e $$b_n$$

O n-ésimo coeficiente do produto: $$A(t) . B(t) $$ , que também possui período T, é dado por:
$$c_n = \sum_{k=-\infty}^{k=\infty} a_k . b_{n -k} $$

Essa relação não só parece como pode ser vista como uma soma de convolução discreta dos coeficientes das sequências de Fourier que representam sinais.
Outra forma de obter essa relação é simplesmente multiplicando as representações dos sinais A(t) e B(t) sob a forma de série de Fourier e rearranjando e agrupando seus termos.


A relação de Parseval

A relação de Parseval é famosa, e muito útil, porque relaciona diretamente o sinal com seus coeficientes e é obtida através do cálculo da potência média de um intervalo de período do sinal, resultando na expressão de Parseval:
$$ \frac{1}{T} \int_T \left\vert A(t) \right\vert^2 dt = \sum_{n=-\infty}^{n=\infty} \left\vert a_n \right\vert^2$$

Onde A(t) é o sinal de tempo contínuo de período T, de coeficientes da série de Fourier $$a_n$$.
Um detalhe importante e que torna a equação de Parseval bem abrangente é o fato que ela é válida para qualquer sinal periódico, visto que expressão foi obtida pelo cálculo da potência média de um sinal periódico qualquer.

Condições de Dirichlet | Séries de Fourier

Nem toda função periódica pode ser representada pela série de Fourier.
O rigor matemático impõe algumas condições e critérios para que possamos usar a tão famosa e útil série, e nem mesmo o próprio Fourier foi capaz de desenvolver as condições em que as séries eram válidas.

Houveram muitas discussões, principalmente envolvendo a questão das descontinuidades.
Mas coube ao matemático alemão Dirichlet a formalização das condições:



Primeira condição:
"O sinal deve ser absolutamente integrável". 

Isto é, se o sinal é s(t):
Então a integral
$$\int_T |s(t)| dt $$
deve existir.

Se tal integral, que representa o sinal, deve existir, é fácil concluir que os coeficientes que representam a série de Fourier também devem.
Trocando em miúdos: tanto a integral como os coeficientes não tendem ao infinito.

Segunda condição:
Em um intervalo qualquer sinal, não deve existir infinitos pontos de máximo e mínimo.

Por exemplo, funções trigonométricas do tipo:
$$ \sin{(k/t)} $$
Para k inteiro, no intervalo t de ente 0 e 1. Pois nesse intervalo a função varia entre infinitos valores de máximo e mínimo e não há como representar tal função usando os coeficientes da série de Fourier.
Veja como a função se comporta quando se aproxima de 0, para:
$$ f(t) = \sin{(\pi/t)} $$

Veja como se faz no Wolfram Alpha: www.wolframalpha.com/input/?i=sin(pi/t),+from+t=0+to+1


Terceira Condição:
"Em um intervalo finito qualquer do sinal, não devem existir infinitas descontinuidades."

Funções desse tipo não são 'normais' na natureza. São, geralmente, casos de estudo teórico e é intuitivo entender o motivo de função com infinitas descontinuações (ou seja, saltos no gráfico, sem motivos aparente) não serem possíveis de serem representadas pela série de Fourier.
Embora seja possível utilizar a série de Fourier em sinais com número finito de descontinuidade, não é possível em sinais mais 'aleatórios', com infinitos casos de singularidades.
Essa incerteza no cálculo de descontinuidades infinitas se deve ao fato de que a equação da série de Fourier tende para a média dos valores na borda da descontinuidade, não sendo possível garantir tal convergência em casos de infinitas descontinuidades.


Definindo série de Fourier: Sinais Periódicos de Tempo Contínuo | Séries de Fourier

Nesse artigo definimos a série de Fourier e o motivo dela ser usada para representar sinais periódicos de tempo contínuo. Além de mostrar sua utilidade e onde é empregada.

Relembrando do 2o grau, o período de uma função é o menor número positivo T tal que:
x(t) = x(t + T)

Já a frequência associada a um tempo $$ t $$ é dada por:
$$ \omega = 2 \pi /t $$

Vamos usar o exemplo mais simples de equação exponencial periódica:
$$ x(t) = e^{i \omega_0 t} $$

Esse $$\omega_0$$ significa frequência fundamental. É a frequência associada ao período $$ T $$ :
$$ \omega = 2 \pi /T $$

Agora analisemos o sinal:  (*)
$$ s(t) = e^{i \,n \omega_0 \, t} , para n = 0, \pm 1 , \pm 2, \pm 3 ... $$

Vamos pegar a parte exponencial e ver melhor:
$$ e^{i \,n \, \omega_0 t} =  e^{i \,n 2 \pi /T \, t} =  e^{i \, 2 \pi /(T/n) \, t} $$

Note que nesse sinal, para cada valor de $$ n $$, o sinal vai ter uma frequência múltipla de $$ \omega_0 $$ .
Ou seja, são todos possuem período $$ T $$ também, pois os sinais terão período dado por $$ (T/n) $$ , e $$ T $$ é múltiplo de $$ (T/n) $$ .
A esse conjunto de sinais, definido pela equação (*), dizemos que são um conjunto harmonicamente relacionado, e usaremos bastante em nosso estudo de séries de Fourier.

Nesse conjunto de equações, que formam o sinal, para:

$$ n = \pm 1 $$, dizemos se tratar do primeiro harmônico ou fundamentais
$$ n = \pm 2 $$, dizemos se tratar do segundo harmônico.
e assim sucessivamente.

Sabendo de período, harmônico e conjunto de equações harmonicamente relacionadas, podemos apresentar a tão famosa série de Fourier.

A série de Fourier


Definimos como série de Fourier uma combinação linear desse conjunto de equações harmonicamente relacionadas, e representaremos da forma:

$$ x(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n \omega_0 \, t}$$

Ou seja, qualquer função periódica (como as trigonométricas) pode ser representada dessa forma.

Podemos dizer então, que uma função, como seno e cosseno, é uma combinação linear de exponenciais.
A genialidade por trás da série é que ela nos permite ver algumas funções e sinais, como de uma tangente por exemplo, de uma maneira diferente: através de exponenciais, e estas permitem um algebrismo mais fácil além de outras características que serão detalhadas em breve.

Por hora, precisamos focar em outro detalhe: descobrir os índices $$ a_n $$ , que são chamados de coeficientes da série de Fourier.

Para isso, multiplicaremos ambos os lados por $$ e^{-j k \omega_0 t} $$ e integrando ambos os lados no intervalo de um período.
Para resolver a integral, basta transformar a exponencial para a forma trigonométrica e integrar, que teremos o par de equações que define a serie de Fourier:

$$\begin{cases}
x(t) = \sum_{n=-\infty}^{n=+\infty}a_n e^{i \,n \omega_0 \, t} \\

a_n = \frac{1}{T} \int_T x(t) e^{-i \,n \omega_0 \, t} dt
\end{cases} $$

O coeficiente $$a_0$$ tem um valor especial, constante, dado por:
$$ a_0 = \frac{1}{T} \int_T x(t) dt  $$

e é chamado de nível dc e $$a_0$$ é o valor médio de x(t).

A série de Fourier não é apenas mais uma representação do sinal periódico. Se ela é tão famosa e usada,  devem existir razões, além da facilidade do algebrismo e análise gráfico do sinais.
É fácil encontrar na literatura, como no Oppenheim, a demonstração que os coeficiente da série de Fourier em uma combinação linear finita são os que minimizam o erro.

O que isso quer dizer?
Obviamente que não vamos representar um sinal com infinitos coeficientes (se existirem, muitas vezes boa parte deles são nulos). Então é comum representar o sinal usando somente alguns coeficientes.
O que é possível demonstrar é que, quanto mais coeficientes da série de Fourier nós utilizarmos, mais perfeita e mais próxima nossa representação é do sinal real.

- Exemplos

Vamos representar o sinal função: $$ f(x) = x $$
Em intervalos de valor $$2 \pi $$ :


A medida que formos adicionando mais coeficientes da série de Fourier, mais nosso sinal (em vermelho) irá se aproximar da função real, veja:




O site do MIT fez um aplicativo em Java que mostra esse efeito:
http://ocw.mit.edu/ans7870/18/18.06/javademo/FourierSeries/
Você coloca a equação e escolhe o número de termos da série de Fourier que desejar, e vai ver a aproximação desenhada em cima da função real.

Autovalor e Autofunção de um sistema | Séries de Fourier

Vamos mostrar a importância dos números complexos em sistemas invariantes no tempo (LIT).


Usaremos a notação:

$$e^{s t}$$, para sinais de tempo contínuo
$$z^n$$, para sinais de tempo discreto
onde s e z são números complexos.
Em vez de falar o porque do uso de exponenciais em sistemas do tipo LIT, vamos mostrar o que ocorre quando um desses não números são entrada.
Seja x(t)= $$e^{s t}$$ a entrada e h(t) a resposta ao impulso de tal sistama LIT.
Da convolução, sabemos:

$$ y(t) = \int_{-\infty}^{+\infty}h(\rho) x(t-\rho)\,d\rho $$

Fazendo as substituições com os nossos dados:

$$ y(t) = \int_{-\infty}^{+\infty}h(\rho) e^{s(t - \rho)} d\rho $$

$$ y(t) = \int_{-\infty}^{+\infty}h(\rho) e^{st} e^{s\rho} d\rho $$

$$ y(t) =  e^{st}  \int_{-\infty}^{+\infty}h(\rho) e^{-s\rho} d\rho $$

Vamos definifir a função:
$$A(s)= \int_{-\infty}^{+\infty}h(\rho) e^{-s\rho} d\rho $$

Do cálculo integral, por h(t) ser uma resposta ao impulso e que o módulo função exponencial é um número real, a integral converge.
Assim, a função A(s) existe, e é uma constante complexa que depende de s.

Podemos escrever a saída da seguinte formato:
$$ y(t) = A(s) e^{s t} $$

Aqui chegamos em uma importante conclusão, apenas olhando para a equação anterior:
A resposta do sistema para uma entrada exponencial $$ e^{s t} $$, é essa mesma entrada mudada de um fator A(s). Ou seja, ocorre uma mudança de amplitude.

De outra forma: quando a entrada é uma exponencial, a saída é a mesma exponencial multiplicada por um fator, A(s).
Notou a importância dos complexos como entrada de sistemas invariantes no tempo (LIT)?

A(s) é chamado de autovalor e o sinal é uma autofunção do sistema.
Conclusão importante: exponenciais complexas são autofunções de sistemas do tipo LIT.

Analogamente, para o caso discreto:
$$ x[n] = z^n $$

Definição de convolução:
$$ y[n] = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] x[n - k] $$

Substituindo os valores:
$$ y[n] = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] z^{n - k} $$

$$ y[n] = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] z^{n - k} $$

$$ y[n] = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] z^n z^{ - k} $$

$$ y[n] = z^n \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] z^{-k} $$

Autovalor no caso discreto:
$$ A[z] = \sum_{k=-\infty}^{k=+\infty}h[k] z^{-k} $$

Introdução: utilidade das séries de Fourier

  • O que veremos nessa seção

A convolução, que nada mais é que uma soma que representa os sinais por meio da combinação linear de impulsos é um meio de representar sinais.
Com as séries de Fourier, veremos outros métodos de representar os sinais. Ou seja, é uma outra abordagem.


A base dessa nova visão continuará sendo a soma (lembre-se que integral também é uma soma, mas uma soma de partes infinitesimal), mas os sinais básicos que mais usaremos serão os exponenciais complexos.

Por hora, para conta do efeito de facilidade e entendimento, trataremos de sinais periódicos e de tempo discreto, que são as série de Fourier.

  • Representar, representação, modo de ver...


Já reparou nisso? Por que se fala tanto em representar? Por que e para que outro modo de ver?
Muito simples: os fenômenos reais, do nosso dia a dia, são muito complexos.

O objetivo das ciências exatas é criar conceitos (como o de trigonometria e números complexos), e analisar os fenômenos reais e complexos através desses conceitos mais simples.
Ou seja, vamos pegar uma coisa complicada, e representar de uma maneira simples, de uma maneira que possamos entender, manusear e prever resultados.

Usaremos trigonometria, séries, periodicidade e números complexos para estudar e manipular os sinais da vida real, como verão.
Isso, na Física, já é um velho costume. E no nossa caso, Série de Fourier, foi estudo vários cientistas, como Bernoulli, Euler, Dirichlet e Fourier.

O nome do assunto se refere ao Fourier por ele ter sido o grande 'divulgador' pro trás da ideia de que um sinal periódico poderia ser representado por séries senoidais harmônicas.
Veja bem, não foi ideia dele e nem ele que provou isso ao pé da letra.
Mas sem dúvida, ele foi o mais envolvido. Na verdade, são poucos os casos em que um ser humano desenvolve algo de tamanha importância de maneira completa e sozinho.

O impacto do trabalho de Fourier foi tão grande, que é um dos mais usados em Física, Química, Matemática e quase todas as engenharias.
Sendo usado inclusive na modelagem de movimentos planetários, climatologia da terra e oceanografia.
Ao final dos estudos da série de Fourier, você terá uma ferramenta poderosa para fazer a análise e descrição dos mais diversos tipos de sinais.